Artigos

Coluna mensal de Rodrigo Andolfato no Jornal Folha da Região

Investimento local, contribuição nacional

Publicado no jornal Folha da Região no dia 29 de setembro de 2015

Prática comum de gerações passadas, prestigiar o trabalho e produto do vizinho, daquele conhecido de anos, do compadre, do amigo, é reapresentada agora como uma alternativa para o fortalecimento da Economia nacional. Nesta sociedade globalizada que por meio da internet tem acesso a materiais de todo o mundo, especialistas em economia lembram que é “aí do seu lado”, na mercearia da esquina da sua casa, na fábrica/indústria local, que pode estar a solução para um reequilíbrio econômico. 
 
Tal costume nunca deveria ter “saído de moda”, temos tratado sobre esse assunto com frequência no programa Araçatuba S.A (transmitido pela TV Araçatuba). Certamente essa cultura, se massificada, protegeria e contribuiria para uma transposição tranquila a qualquer crise. Na Europa, por exemplo, essa prática é consolidada. 
 
A lógica dessa situação é simples: ao prestigiar comércios/empreendimentos locais, ou seja, originalmente constituídos em sua cidade, você está contribuindo para a manutenção da empregabilidade, garantindo o giro de capital e, principalmente, que os recursos, o dinheiro, se mantenha num ciclo de investimentos dentro dessa localidade.   
 
Resumindo, toda vez que você gasta no mercado do vizinho e ele, morando na sua cidade, também utiliza serviços e produtos locais, o dinheiro circula dentro do lugar onde você mora. Não é o que acontece, por exemplo, quando compramos em um supermercado de cadeia nacional – de onde o lucro vai para uma sede, que pode ser no Rio de Janeiro, nos Estados Unidos... muito distante do seu endereço.  
 
Em momentos de crise, quando somos levados a repensar/refletir em como vamos gastar o nosso dinheiro de forma assertiva é importante também ponderar sobre esse aspecto. Sobre o quanto estamos contribuindo para a estabilização econômica do mercado de nossa cidade, dos investidores locais.  
 
Essa análise nos faz entender melhor os princípios europeus de consumo, onde as pessoas buscam comprar o queijo da região onde moram, tomar o vinho da própria localidade, e privilegiam o que é artesanato local – ações que têm um cunho econômico atrelado ao pensamento cultural. É de certa forma usar de um “bairrismo”. Contudo, um bairrismo econômico; não sociocultural. Algo bastante razoável nesse sentido. 
 
Não por acaso, pensando em construir/fortalecer esse tipo de pensamento entre a população Brasileira, o Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) criou uma ação para incentivar a compra em pequenos negócios. A iniciativa chamada de “Movimento Compre do Pequeno Negócio” tem o objetivo de contribuir com o fortalecimento da economia nacional. A intenção é estimular a sociedade a consumir produtos e serviços fornecidos por micro e pequenas empresas – ressaltando que mais de 10 milhões de empresas no Brasil são consideradas “pequenos negócios”. 
                                                    
Ao falar sobre a iniciativa, o presidente do Sebrae, Luiz Barreto, destacou que é a primeira vez que o órgão faz um projeto voltado à sociedade, “para que as pessoas percebam que ao comprar do pequeno, elas estão melhorando a sua cidade, gerando empregos e ajudando a economia”. Como destaca a próprio Sebrae: as micro e pequenas empresas são mais de 95% do total dos empreendimentos brasileiros, respondem por 27% do PIB (Produto Interno Bruto) e por 52% do total de empregos com carteira assinada – mais de 17 milhões de vagas.
 
No hotsite do “Movimento Compre do Pequeno Negócio” há esta lista com as cinco razões para se comprar de “pequenos”, ou “locais”: é perto da sua casa; é responsável por 52% dos empregos formais; o dinheiro fica no seu bairro; o pequeno negócio desenvolve a comunidade e comprar do pequeno negócio é um ato transformador. 
 
A proposta é relevante e conta ainda com a promoção de palestras e consultoria para empreendedores, e uma ação neste 5 de outubro, segunda-feira, estimulando as pessoas a comprarem nesse tipo de negócio. A intenção, segundo o presidente do Sebrae, é que nesse dia as pessoas “preferencialmente comprem das micro e pequenas empresas e assim colaborem com o crescimento da economia brasileira.”
 
Trata-se de uma iniciativa realmente significativa. Seria muito interessante a revisão do hábito de consumo. As empresas que são da sua cidade, que a fazem crescer, que oferecem emprego e reaplicam recursos localmente, precisariam, necessariamente, ser valorizadas e prestigiadas. 



Rua José Lourenço, 650 • B. Concórdia 2 • CEP 16013-340 • Araçatuba/SP • Fone (18) 3117 5500 - Política de Qualidade