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Coluna mensal de Rodrigo Andolfato no Jornal Folha da Região

Desejo de aniversário

Quando o Pelé fez o seu milésimo gol, num jogo entre Santos e Vasco, em 1969, ele comemorou a conquista com um discurso que causou polêmica. “Vamos proteger as criancinhas necessitadas”, disse ele aos repórteres do campo, no calor da celebração, entre um beijo na bola e a volta olímpica no Maracanã. Imediatamente após esse comentário, o jogador foi chamado de demagogo. 
 
Anos depois, na autobiografia “Pelé: Minha Vida em Imagens”, Edson Arantes do Nascimento tratou desse episódio e esclareceu que desde aquela época já se preocupava com a Educação, pois entendia que: “não haverá futuro se você não educar os jovens”. Ele reconheceu que foi mal-entendido, mas frisou: “Não tenho medo de falar com o coração.”
 
Corro o risco de ser considerado demagogo, mesmo apresentando simplesmente aquilo que está no meu coração, mas neste momento, quando estou em comemoração por mais um aniversário de vida (celebrado nesta semana), gostaria de tratar sobre o melhor presente que poderia receber na atualidade: o fim da hipocrisia. Gostaria que as pessoas deixassem de ser hipócritas. 
 
Gostaria que começassem a olhar para os problemas que estamos vivendo, na conjuntura econômica principalmente, com o sentido de mea-culpa. Que começassem a enxergar a sua parcela de responsabilidade. E que entendessem também que não existe almoço grátis; não existe saúde grátis; não existe aposentadoria grátis; não existe escola grátis. Não existe nada gratuito. 
 
O governo não faz mágica, ele não cria riquezas. Precisamos parar de desejar que alguém nos dê algo que é nossa obrigação buscar. E, considerando isso, é relevante aprofundar e direcionar a reflexão, mantendo a mente aberta para possibilidades. 
 
A busca por uma real autonomia, ou autossuficiência, é a base da escola austríaca de economia, que prega o liberalismo econômico. Um liberalismo que, na verdade, nunca foi visto. Não dá para se dizer, historicamente, como os historicistas tentam apregoar, que já houve a efetiva aplicação desse processo e que houve problemas com ele. Não, e nunca houve. Nem antes do Plano Marshall nem depois, nem antes da Quinta-Feira Negra, com a quebra da bolsa em 1929, nem depois. Por quê? Porque sempre houve a regulamentação do Estado, em tudo o que fazemos.
 
Bastando que uma atividade fosse viável economicamente, ela teria que ter condições de ser desenvolvida. O Estado não precisaria interferir nesse processo.
 
Mesmo sem a real dimensão do reflexo do liberalismo econômico, é preciso permiti-lo. Só que, para isso, e antes disso, é preciso entender que não há “almoço grátis”. Que se alguém recebe alguma coisa do Estado é porque outra pessoa trabalhou dobrado para que isso se concretizasse. O Estado não planta um grão de arroz. Ele é despesa. É aquilo que todo empresário tenta diminuir em seu negócio. E sendo despesa, não é incoerente pensar que ele seria mais adequado se fosse mínimo. O Estado pode ser mínimo, como já explicou pesquisadores, economistas e estudiosos em vários momentos da história. E isso teria um grande reflexo. 
 
A escola austríaca de economia, que teve como um de seus expoentes Ludwig von Mises, deve ser subsídio para uma reflexão sobre autonomia, sobre desenvolvimento. Esse conteúdo pode ser conhecido por meio do Instituto que leva o nome desse economista e filósofo, que tem representação no Brasil. Informações podem ser acessadas por meio do endereço www.mises.org.br
 
É fundamental que todos comecem a se informar, que comecem a entender que quem põe grilhões nos nossos pés, no nosso desenvolvimento, não é a economia, e sim o Estado. 
 
Voltando ao presente de aniversário... Gratificante seria se eu soubesse que pessoas que leram este artigo foram buscar informações sobre o que é o liberalismo econômico na escola austríaca e sobre as possibilidades que poderíamos ter a partir dele. 

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